Paradoxos de Marco: Saúde e Felicidade

Creio que para Pietra, o exercício de hábitos para uma vida saudável nunca consistiu em um objetivo futuro ou algo a se conquistar. Os hábitos saudáveis que ela exercia simplesmente tinham fim em si mesmo e apresentar uma vida saudável era somente uma mera consequência disso, nunca propósito. 

E assim, como ter uma vida saudável nunca foi propósito para Pietra, o fato de ter descoberto uma doença incurável não a abalou. Ela tinha hábitos saudáveis por que se sentia bem exercendo esses hábitos saudáveis. Pietra com isso não teve nenhuma expectativa frustrada, nenhum sentimento de objetivo não realizado. Para Pietra, não mudaria em nada seu sentimento de felicidade caso não desenvolvesse nenhuma doença.

Pietra, em toda sua vida, nunca deixou algo por realizar e foi por isso que a descoberta de uma doença fatal não a abalou.

Do contrário, seria como disse Dalai Lama:

O que mais me surpreende é o ser humano. Ele sacrifica sua saúde para ganhar dinheiro. E depois precisa sacrificar seu dinheiro para poder recuperar sua saúde.

É tão ansioso por seu futuro que não tem tempo de gozar o presente e como resultado, não vive no presente nem no futuro.

E vive como se nunca fosse morrer e morre como se nunca tivesse vivido “.

Isso sim seria um paradoxo.

 

O primeiro ponto que precisamos ter claro é se, até a descoberta do fato, Susan acreditava ter tido uma vida feliz ou de fato se ela tinha sido feliz.

 

A diferença entre acreditar e saber

 

Continuando no artigo:

A questão da felicidade humana não está ligada ao ato de “acreditar profundamente e não duvidar”. A pessoa que conquista a felicidade plena nesta vida não tem nenhuma necessidade de acreditar, pois ela sabe claramente e tem certeza disso.

Assumindo que Susan acreditava ter tido uma vida feliz, a descoberta da traição do marido apenas revelou algo que ela nunca tinha sido: feliz. Se Susan tivesse sido de fato feliz, não precisaria acreditar nisso, apenas saberia.

Por outro lado, Susan poderia dizer que tinha sido feliz até a descoberta. Nesse caso, de fato ela foi feliz.

A descoberta da traição não irá mudar o que Susan foi até tê-la descoberto: tenha sido ela feliz ou não. No caso de Susan, a traição só revela o fato de que Susan, efetivamente, nunca tinha sido feliz – apesar de acreditar que tivesse sido.

Ao contrário, se Susan não precisasse acreditar que tinha sido feliz – pois ela somente o foi – a traição irá revelar que Susan efetivamente tinha sido feliz, apesar da traição do marido.

No primeiro caso, Susan poderia concluir, após a descoberta, que ela estava enganada e que nunca havia sido feliz com o marido (apesar de ter sempre acreditado o contrário até então). Provávelmente, Susan, agora à par da traição do marido, irá deixá-lo pois agora sabe que, se com este nunca havia sido feliz até então, não seria a partir da descoberta que isso aconteceria.

Decisão mais provável (racional) de Susan:

deixar o marido

No segundo caso, não haveria nada a concluir até então. Susan efetivamente tinha sido feliz com seu marido até a descoberta da traição, ainda que o mesmo vinha mantendo uma segunda família em paralelo. O que Susan precisa avaliar nesse caso, é se a falta de confiança no marido pode afetar sua felicidade.

Decisões mais prováveis (racionais) de Susan:

Se não afeta: perdoar

Se afeta: deixar

Perdoar é única opção que está somente nas mãos de Susan e que têm, como resultado manter todos felizes. Mas para isso a felicidade de Susan precisar ter um valor maior que a confiança restou dela para com o marido. Se isso não acontecer, Susan de qualquer forma não conseguirá ser feliz sem ter confiança no marido, logo, Susan precisará ser feliz em outras novas circunstâncias, ainda desconhecidas à ela. Só que neste caso, a felicidade ainda é uma possibilidade bastante provável para alguém que, efetivamente, já foi feliz.

A descoberta da traição, portanto, não muda o que Susan tenha sido até ali. Muda apenas o que acontecerá dali para frente. Se Susan de fato acredita ter sido feliz, então a descoberta da traição deve ser recebida com gratidão por revelar, depois de tanto tempo, a verdade para Susan e, assim, possibilitar que ela seja feliz de fato.

 

 

 

 

 

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