O Problema do Testemunho

Apresentação e discussão sobre o problema do testemunho


Leituras

1: O´Brian, Introdução a Teoria do Conhecimento, capítulo 5;

2: Pritchard, What is this thing Called knowledge?, capítulo 8


Apresentação

 

 

Discussão

Presume-se que um agente, que deve decidir em relação à aceitar ou não um testemunho como verdadeiro.

Tanto o credulismo quanto o reducionismo nos levam à extremos não satisfatórios. Se duvidarmos de todo e qualquer testemunho, muito pouco aprenderemos; Se acreditarmos em todo e qualquer testemunho, possivelmente muito do que aprendermos possa não ser verdadeiro.

Em primeiro lugar, deve-se verificar: são todos os testemunhos verdadeiros? Não existem testemunhos falsos?

Ou o contrário: São todos os testemunhos falsos? Não existem testemunhos verdadeiros?

A resposta é que existem testemunhos falsos E também existem testemunhos verdadeiros.

Logo, se existem ambos, qualquer generalização à ponto de tomar como verdadeiro ou como falso qualquer testemunho recebido não se faz apropriada, uma vez que, efetivamente, existem e lidamos com ambos tipos de testemunhos.

Assim… a primeira pergunta que qualquer pessoa de bom senso deveria fazer ao receber um testemunho seria:

– “será esse testemunho verdadeiro?” (para os mais adeptos ao credulismo)

– ou então “será esse testemunho falso?” (para os mais adeptos ao reducionismo)

Em ambos os casos, a melhor forma de tratar um testemunho inicia por uma dúvida e não por meio de uma certeza. É a resposta à dúvida que dirá, àquele que recebe o testemunho, se o mesmo deve ser tomado como verdadeiro ou falso.

 

Aponto algumas premissas necessárias ao agente quanto ao ato de decidir se aceita ou não um testemunho como verdadeiro, consolidando-o assim, como conhecimento:

  1. Probabilidade: Para todo e qualquer testemunho existe uma probabilidade do mesmo ser de fato verdadeiro ou do mesmo não ser verdadeiro. Aquele que testemunha também pode, por sua vez, acreditar que aquilo que testemunha é verdadeiro quando na verdade não o é. À este podemos chamar de “testemunho enganoso”; Um reducionista tenderia a aumentar ou diminuir a probabilidade de aceitar o testemunho como verdadeiro na condição de poder atestar a reputação histórica positiva daquele que testemunha. Um credulista por sua vez, na ausência de razões para se duvidar do testemunho, o têm como verdadeiro, até que se prove o contrário. Enquanto a dúvida do reducionista proporciona a oportunidade de validação quanto à verdade do testemunho, a crença do credulista fecha essa porta.
  2. Falseabilidade: Um testemunho pode ser considerado conhecimento se, ao menos, existir a possibilidade do mesmo ser falseável, ou seja, a verificação é possível; Caso o testemunho não possa ser falseável, então o mesmo não pode ser tomado como conhecimento e sim como crença.
  3. Pragmatismo: Supondo um agente pragmático, cuja intenção é utilizar o testemunho recebido para um determinado fim com o objetivo de atingir um determinado resultado. O agente pragmático poderia se perguntar, inicialmente:
    1. Para qual fim aplicarei o testemunho?
    2. Se o testemunho for falso, qual será o meu prejuízo?
    3. Se o testemunho for verdadeiro, qual será o meu benefício?
    4. Com base no conhecimento que tenho do testemunho em si, bem como daquele que o testemunha, qual a probabilidade do testemunho ser falso ou verdadeiro?
    5. De quanto seria meu prejuízo para validar o testemunho até obter uma probabilidade significativa para que se possa considerar o mesmo verdadeiro?
    6. De quanto seria meu benefício em tomar o testemunho imediatamente como verdadeiro até que algo o prove ser falso?

As respostas à estas perguntas iniciais indicarão ao agente, os riscos e benefícios em se tomar o testemunho como verdadeiro sem qualquer validação como, também, os riscos e benefícios em verificar a veracidade do testemunho, tomando-o nesse caso, imediatamente como falso.

Em outras palavras, o agente pragmático obterá o melhor resultado assumindo um testemunho como falso e investigando até que a probabilidade do mesmo ser verdadeiro seja satisfatória ao agente ou, assumindo o mesmo imediatamente como verdadeiro, porém correndo o risco do mesmo se provar falso quando em sua aplicabilidade.

Um conhecimento deve, portanto, estar associado à alguma finalidade. É a finalidade que dá importância quanto à veracidade de um testemunho. A falta de finalidade/utilidade, por sua vez, possivelmente não fará muita diferença se o testemunho for falso ou verdadeiro.

Exemplos: Um agente I.A., o que faria?

Tomando a perspectiva de uma agente racional segundo a Inteligência Artificial, poder-se-ia considerar tanto o Credulismo quanto o Reducionismo como soluções de agentes irracionais?

 

 

 

 

 

 

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